O fabuloso destino, de quem?

Sabe aquele momento das férias, que você não aguenta mais o “piloto automático”, do come e dorme? Então, foi em alguma férias há alguns anos que levantei mais cedo, com um choro meio engasgado que o tédio provoca, sentei no sofá, num clima frio, e liguei a tv.

Uma tela meia esverdeada ,com um belo contraste de cores frias e quentes, e alguém com um belo francês estava contando as horas, minutos e segundos. Falava de uma mosca e logo em seguida de taças dançantes, e claro da moça que dá um ar mágico e doce a esse filme, Amélie Poulain, representada por Audrey Tautou – que conseguiu captar toda a essência da personagem-.

Sim, me refiro ao filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain” , talvez o destino que muitos gostariam de viver. Não acontece coisas incríveis nesse filme ou fora da realidade , mas é isso que faz toda diferença. Logo no começo mergulha-se na simplicidade da vida de Amélie, desde sua infância, privada de ter contato com outras crianças por conta de uma doença fictícia, ela cria um universo só dela, com amigos imaginários e vinis feito de panquecas.

No meio dessa simplicidade as lágrimas já estavam correndo pelo meu rosto, o filme não precisou ser um drama, mas já estava envolvida naquele universo e eram lágrimas diferentes. O filme é realmente mágico. Ao mesmo tempo que se refere ao sexo, e orgasmos, ele consegue ser inocente.

A partir do momento que Amélie muda a vida de um homem, com um simples gesto de devolver um objeto de infância, ela cria uma nova visão de mundo e um novo sentido a sua existência. E passa a ter um objetivo: mudar a vida do próximo.

È como se ela fosse uma super-heroina que tem o poder de engatilhar eventos na vida de todos que a cercam. Em um adorável clichê ela se apaixona à primeira vista, e então brinca com o destino deixando o encontro com o amor mais prazeroso e criativo. Aliás o filme trata sobre criatividade, mostra como o nosso dia-a-dia pode ser criativo e mágico sem precisar de muito. Realmente as pequenas coisas fazem diferença e ai está um filme para aprender a controlar nossos medos e deixar as ideias soltas.

O diretor Jean-Pierre Jeunet conseguiu dar uma dinâmica totalmente única ao filme, realmente há caracteristicas francesas além da língua. E também a trilha sonora de Yann Tiersen merece atenção durante as cenas. Enfim, se quiser ter um tempo mágico e uma fantasia não tão distante sabe onde encontrar!