Entre nuvens e Sol

Em meio a uma tarde indecisa entre Sol e nuvens percebi que ali estava o reflexo dos meus pensamentos. Eu que tanto clamava por mudança, quando ela chegou às pressas, quis que o tempo parasse. Como sou ingrata com a vida. Como todos, na maioria, são ingratos. Há algum tempo percebo vários olhares saudosistas, clamando por uma época que não volta mais para em alguns anos pedir pelos dias de hoje.

Em meio há tanto nó vendo tantas pessoas, mais do que era habituada, passei a me conhecer um pouco melhor. Conclui que na verdade apenas me encontro em um lar despedaçado, corrigindo, eu sou um lar despedaçado. Não sei mais o que é casa.

Passei um tempo tentando fazer da nova cidade mais parecida com a minha casa mas percebi que assim como os nômades não preciso de um lugar fixo, porém preciso levar quem eu amo comigo, afinal eles são meu lar.

E agora, tenho quartos, cozinhas e salas por ai, em lugares distantes, as vezes nem tanto, mas ainda assim é um espaço vazio, como uma casa  após um tornado onde perde grande parte dos seus cômodos. Porém me veio a memória que logo depois tais casas são reconstruidas, alguma coisa há de mudar, mas acredito que não seja de todo mal.

Tenho que bater o pé e parar de pedir máquinas do tempo ou coisa e tal. Tenho que pedir força e logo coragem para me reconstruir, adicionar alguns novos cômodos e mudar os antigos. Não vai ser fácil ou rápido, felizmente, logo encontrei coragem no olhar de um estranho determinado a devorar o mundo apesar das rugas, estava determinado a pagar o preço da nostalgia para que não ficasse parado no tempo.

Síndrome de Peter Pan

Nunca entendi o motivo pelo qual Peter Pan não queria crescer, afinal quem não queria sair da casa dos pais e viver pelo mundo? Até que cresci e desde então durmo com a janela aberta torcendo para que alguma criança perdida entre e me leve para a terra do nunca só para contar histórias. Pois tudo está errado e percebi quando senti a necessidade de mudar todos os móveis de lugar ou inventar algo qualquer na decoração. Por que meus olhos clamam por mudança e recomeço. Mesmo que a mudança seja mínima quando chegamos no extremo de algo tudo que precisamos é de um detalhe que mude toda a rotina.

Quando você muda, tudo muda, é o que dizem. Porém eu não sou tão fácil assim, preciso que o meu redor mude para que tal mudança ocorra em mim. Recomeçar não é tão fácil como em um jogo, se você perde na vida, você cai e fica perdido, geralmente demora para encontrar o botão de recomeçar, às vezes ele fica escondido dentro de nós e quase sempre é o ultimo lugar que olhamos, pois há medo.

Medo de perceber que nada ao redor precisa mudar, que tudo que está errado está dentro de nós e que ninguém pode apertar esse botão além de nós mesmos. Não há placas ou cartas que lhe dizem o que o futuro lhe reserva, que caminho seguir ou móvel mudar, nada mais assustador né? Nessa transição, tal momento da vida me vejo com a síndrome do Peter Pan, logo sei o que precisa mudar, preciso aceitar que estou crescendo e que a vida precisa continuar. Aprender que existem meninos perdidos sem terra do nunca e não há lugar para mais um, ou cresce ou cresce.

Indecisa como sempre fui nunca desejei tanto outra opção e por falta dela crescer é o único caminho, ainda não sei como farei e que direção escolherei porém sei que não posso parar, que a vida não espera. Peter Pan foi e voltou, a Wendy cresceu e não o esperou, o tempo voa e não voamos com ele. Ou segue em frente ou nem voltar consegue mais.

 

Sem música, com amor

Estava com o violão no colo à procura da música perfeita para começar a tocar. Foi então que percebi que não há nenhuma música que descreveria esse momento. Procurei e procurei diversas vezes e, quando a gente procura desesperadamente por algo, encontra. E apareceu. Mas não foi uma música, foi uma certeza.

Esse ano está bem misterioso e cheio de coisas estranhas acontecendo ao mesmo tempo. Terei lembranças boas e ruins dele. Parece até que estou fazendo um desabafo de 31 de dezembro. Pois é, para mim, passaram-se mais de três anos em um. Crescer é uma droga! Já cansei de repetir isso, mas essa certeza foi que me mostrou a realidade. Vou me lembrar disso pro resto da vida. É uma droga porque as pessoas não se importam mais com o que você pensa, gosta, sente e etc, embora você anseie que isso ocorra. Estou ansiosa e com medo do que poderá acontecer nesses últimos três meses e meio de 2011. Dói saber que terá pessoas que nunca mais verei de novo, as lembranças de todos os dias da semana convivendo com elas. A lágrima já quer descer do meu olho direito e engolir o choro não me fará esconder a saudade reprimida.

Como eu não encontrei a música, não fiz. Sou uma péssima compositora, apesar de respirar as melodias por ai. E não sou o tipo de garota adolescente romântica e apaixonada, embora eu seja louca por aqueles que eu amo. Tenho uma esperança de que isso não mude nunca só que essa ansiedade que transborda dentro de mim para saber sobre o futuro, me mata muito. É uma luta constante: eu e eu mesma. E de nada adianta ficar assim, pois, afinal, o futuro só a Deus pertence.

Entre uma conversa e um sonho

Em algum domingo, de um mês qualquer me encontrava conversando e declarando sonhos para uma antiga amiga. Os sonhos grandiosos e altos, pelo menos para a nossa época da vida, risadas longas e sinceras, e acima de tudo a certeza que um dia tudo será mera realidade. Foi então que me veio uma angustia,- poderia ter sido um temor qualquer,o tal velho medo do fracasso-  porém veio uma angustia por aqueles que não sabem mais sonhar.

Não estou falando daqueles que acordam e esquecem o que sonharam na noite anterior, mas de todos que quando se vêem em meio a alguma dificuldade esquecem o que sonharam a vida inteira.E para tristeza maior, isso está tão comum. Vejo pessoas todos os dias, desistindo aos poucos, de uma profissão, de um amor, de uma felicidade, de uma amizade.

Cegas pelo medo. Tão cegas que não vêem que o caminho mais fácil não é sempre o melhor. E que o melhor requer tempo, paciência, e perseverança. Sonhar é necessário, amar e nutrir o sonho também. Quando penso nisso, vem um desejo crescente de lutar não somente pelos meus sonhos, mas pelos sonhos esquecidos daqueles que amo. Farei o meu melhor, irei bater meus calcanhares sem sapatos de rubi, mas desejando algum tipo de milagre, para que não haja o medo de ser feliz, ou de arriscar.

Muitas vezes é necessário se jogar, mesmo que de olhos fechados. E sim, eu e essa amiga, faremos de tudo para alcançar nossos sonhos, de maneira honesta acima de tudo, e quando alcançarmos, teremos um sonho maior ainda, mas nunca impossível, muito menos insonhável.

Por enquanto, estou na caminhada e na torcida por um sonho a mais.

Sentimento desconhecido

Fiquei procurando a inspiração. Ela não me surgiu à mente. Foi triste, pois sei que tenho de escrever sobre o que eu estou sentindo há algum tempo, por mais que isso me mate. É, me mata de medo por dentro pensar nessa possibilidade. Decidir seguir o caminho da espera e enquanto isso, parece que é infinito. Incrivelmente contraditório essa vontade: parece desespero só que ao mesmo tempo, receio. Mas como quero viver um sentimento que eu nem ao menos senti? O que senti foi parecido cujas sensações de borboletas no estômago, fazer coisas por impulso, gritar e agarrar a pessoa simultaneamente; ou seja, a paixão. Tenho medo até de pronunciar a palavra, embora eu desejo muito senti-la. Ficar falando nas entrelinhas também não dá.

O amor: o sentimento mais importante, surreal, incondicional. Definições tantas e ao mesmo tempo, nenhuma. Poderoso para acertar de longe pessoas que jamais se conheceram e egoísta quando não se sabe dosar. É por ele que decidi esperar. Decidi esperar a pessoa certa, no momento certo e estou cometendo o erro de querer apressá-lo. Minha cabeça palpita horas e horas querendo que ele chegue. Não veio porque ainda não está pronto. Eu não estou pronta. Só Deus sabe quando ambos estaremos. Dificíl? Hum, nem te digo. O mais difícil é ver as pessoas ao meu redor se acertando com ele. Umas fazendo as pazes, outras conhecendo-o. O que eu posso fazer agora é viver com o outro sentimento, o da paciência. E assumir isso, me corroeu, mas passou. Desabafar é bom. Desabafar sobre o que você anseia muito e é desconhecido, é melhor ainda.

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