Suficiente para ir

Eu pensei mil vezes se deveria ou não escrever até que um amigo querido me disse para não pensar mais. Então, de uma nova ”eu” para uma velha ”eu”, te digo que estou bem. Queria olhar dentro dos teus olhos e ficar ali parada na tua frente esperando como você reagiria a isso. Você amava meus olhos, diziam que eles ”eram do tamanho da lua.” Pois é… memórias.

Obrigada. Obrigada apenas por me incentivar a seguir aquela vontade incessante dentro de mim que eu chamo de sonho. Obrigada por cada palavra de preocupação que você dizia e por tornar uma das partes mais difíceis da minha vida, menos dolorosa.

Não gostaria que isso fosse uma confissão de amor só que acabou sendo, mas diferente porque o amor que sinto por você é fraternal e sempre foi, acho que por isso não foi tão difícil dizer adeus. Sempre nos demos muito bem e sempre fomos muito diferentes, você sabe disso. E hoje, sei que nada vai voltar e até fico feliz por isso, pois pude seguir em frente e você nunca teve dificuldade com isso. Portanto, eu tive que falar da tristeza que me invadiu quando eu subi no ônibus para São Paulo, sabendo que a partir daquele dia, as coisas seriam diferentes, eu seria diferente.

Me sinto diferente, menos racional e confesso que ela barrou que eu me apaixonasse por você e, sinceramente, não sei se queria esse impedimento.

Ah, são tantas as cosias que eu deveria te dizer, mas não irei, pois sei que você descobrirá sozinho e isso vai te machucar feio e não me atreverei a te dizer. Hoje está tudo muito diferente. Não afirmo que nunca mais teremos aquela sintonia, pois o caminho que tracei para minha vida é completamente oposto ao seu e te desejo tudo de bom.

Bem, de uma pessoa que é tudo menos ‘‘sua” (amiga, conhecida, não interessa), vê se para de ser tão idiota assim e caia em si, perceba a sua verdadeira vocação.

Como eu tenho certeza que não lerá isso, termino com um eu te amo que não tem a ver com as reais confissões de amor. Esse ai possui um significado bem mais importante do que você imagina.

Image

Meu destino é você

Uma história toda jogada fora, deixada de lado como se fosse uma roupa velha e sem uso. Duas pessoas feitas uma para outra separadas por um capricho adolescente. Ser diferente, quem não quer? Mas essa diferença a qual eu tanto procurava não era algo positivo, era apenas querer fugir de meus compromissos e de minhas responsabilidades, o que depois de algum tempo percebi que não dava para fugir.

E depois que o erro já havia sido cometido, duas vezes, eu resolvi voltar atrás. Como se uma luz tivesse se acendido na imensidão de meus pensamentos e minha consciência tivesse falado: “Querida, acorde, você está perdendo o amor da sua vida!”. Quando tomei coragem para fazer as coisas certas,  pelo menos uma vez, me deparei com algo que não imaginava: ele não estava mais me esperando como sempre. Acho que essa foi a maior surpresa, ele sempre fez o que eu queria, e as coisas eram sempre do meu jeito. Dessa vez não foi, e mesmo ficando surpresa, não foi tão ruim assim. Com toda essa falta que senti de você e essa confusão de sentimentos eu cresci e aprendi muito com a vida. Aprendi que as vezes podemos achar que gostamos de duas pessoas ao mesmo tempo, mas na realidade, uma era paixão passageira, e amor é totalmente diferente, o amor fica acima de tudo. Aprendi que a minha realidade é a melhor que eu poderia imaginar e devo agradecer por tê-la todos os dias de minha vida. Aprendi que quando se quer muito uma coisa, deve-se correr atrás incansavelmente e não desistir, não importa o quão difícil pareça, se você sente que é pra fazer parte da sua vida, com certeza uma dia vai fazer.

Mas acima de todo o aprendizado que tirei dessa situação, eu consegui enxergar claramente o que eu quero para o resto dos meus dias: você. Eu necessito a sua presença, nada é a mesma coisa sem você ao meu lado. Você foi o único que me aceitou daquele jeito egoísta e acima disso, me amou assim. Sinto falta do seu abraço a noite antes de dormir. Falta do seu beijo carinhoso em momentos quaisquer. Falta do seu perfume quando você vinha me buscar. Falta dos seus óculos de grau e do cuidado que você tinha com eles. Falta do meu banco no seu carro. Falta da minha pasta no seu pen drive. Falta de cantar alto as músicas que gostávamos enquanto voltávamos para casa. Falta de assistir aquele programa de humor com você no domingo a noite e sempre te pedir para ficar mais um quadro. Sinto falta acima de tudo, da sua alma boa, do seu jeito sincero e educado, sempre fazendo tudo pelos outros, mesmo que isso não fosse bom para você.

Preciso te provar que as coisas aqui mudaram, que eu mudei por você, que eu te quero em meus braços, mas não vejo como. Já fiz a minha parte, deixei meu orgulho de lado e mostrei tudo o que sinto. Depois de tudo o que passei, eu criei um escudo para nunca mais mostrar meus sentimentos, mas por você eu não ligo, estou totalmente desprotegida, o meu coração está em suas mãos. É você que eu vejo em meu futuro, por isso não vejo problema em esperar até lá. Quero que seja feliz agora e viva o que tem que viver, mas saiba, estarei sempre lhe esperando, como sempre estive e só agora percebi.

Sentimento desconhecido

Fiquei procurando a inspiração. Ela não me surgiu à mente. Foi triste, pois sei que tenho de escrever sobre o que eu estou sentindo há algum tempo, por mais que isso me mate. É, me mata de medo por dentro pensar nessa possibilidade. Decidir seguir o caminho da espera e enquanto isso, parece que é infinito. Incrivelmente contraditório essa vontade: parece desespero só que ao mesmo tempo, receio. Mas como quero viver um sentimento que eu nem ao menos senti? O que senti foi parecido cujas sensações de borboletas no estômago, fazer coisas por impulso, gritar e agarrar a pessoa simultaneamente; ou seja, a paixão. Tenho medo até de pronunciar a palavra, embora eu desejo muito senti-la. Ficar falando nas entrelinhas também não dá.

O amor: o sentimento mais importante, surreal, incondicional. Definições tantas e ao mesmo tempo, nenhuma. Poderoso para acertar de longe pessoas que jamais se conheceram e egoísta quando não se sabe dosar. É por ele que decidi esperar. Decidi esperar a pessoa certa, no momento certo e estou cometendo o erro de querer apressá-lo. Minha cabeça palpita horas e horas querendo que ele chegue. Não veio porque ainda não está pronto. Eu não estou pronta. Só Deus sabe quando ambos estaremos. Dificíl? Hum, nem te digo. O mais difícil é ver as pessoas ao meu redor se acertando com ele. Umas fazendo as pazes, outras conhecendo-o. O que eu posso fazer agora é viver com o outro sentimento, o da paciência. E assumir isso, me corroeu, mas passou. Desabafar é bom. Desabafar sobre o que você anseia muito e é desconhecido, é melhor ainda.

Amor de brincadeira

Começo a escrever mesmo não sabendo o que escrever, mesmo não sabendo como mostrar o que quero e o que sinto. Sou péssima com as palavras, as vezes quando me atrapalho demais gaguejo e faço frases desconexas. Mas também sou muito boa com elas, quando sei o que quero e como quero dize-las.

Não se preocupe, não vim falar sobre palavras, sei que deve ter alguma aula sobre isso. Porém se tivesse uma aula sobre amor, creio que seria mais útil, pois nunca aprendi sobre, apesar dos pais, amigos, filmes e músicas. O amor é como aqueles filmes de ficção, vejo como é, mas não vivo. Estranho afirmar tal coisa apesar dos relacionamentos passados, e dos namorados quase amados. Mas o que posso dizer?

Era mais uma brincadeira, a única que restou após a terminada infância.

Me acomodei com tal brincadeira, não fazia mais diferença ,apenas brincava, e pelo menos não estava brincando sozinha. Mas então alguém pediu para brincar. Não, não brincar, e sim viver. Minha palidez durou alguns dias e meio, não poderia imaginar algo mais assustador que tal pedido. Amar não mais como lazer, mas amar de verdade, o mesmo amor dos meus pais, dos filmes e tão falado em músicas. Amor que na realidade nunca acreditei, e creiam ou não, eu senti que o que ele sentia era real. Lá vem as frases desconexas quando o sentimento é demasiado complexo.

Queria terminar dizendo que escolhi viver, e não fugi nem chorei. Grande mentira. Primeiro chorei, então fugi, mas chega uma hora que a fuga cansa e decidi brincar e descobri que isso também cansa quando há algo melhor esperando. E no ano mais conturbado de uma vida, com muito medo e sem café ou cigarros, aceitei brincar com ele. Não, não brincar, e sim viver.

A última carta

Querido B.,

Fiquei dias e noites imaginando tudo o que aconteceu nesses últimos sete meses. Foi incrível o tanto de coisas ruins que levaram ao amadurecimento e também as boas que me fizeram sentir uma profunda saudade de você. Eu achava que poderíamos superar isso sozinhos, mas não podemos. Queria que você estivesse aqui, mas nada do que eu quero agora pode realmente acontecer.

Fiquei me perguntando porquê você fez tudo o que fez sabendo que iria estragar tudo,  fazendo todo mundo se machucar muito. Questionei até Deus por ter deixado acontecer e foi ai que eu percebi que era preciso. Era preciso que você largasse sua antiga vida em que não tinha medo de nada, achava que as pessoas eram sempre boas e sua inocência pela justiça, fez com que você fosse pego. Chorei muito. Falo por mim, pois sei que se falasse por todos, não caberia aqui.

Escrevo essa última carta, pois eu sei que tudo o que aconteceu em sete meses fez você perceber que as pessoas lá fora não são nada do aparentam; que os amigos são aqueles que te apoiarão nas horas mais impossíveis e te perdoarão não importando o tamanho da mancada; e o mais importante, que família é aquela composta pelos melhores amigos mas com uma diferença: ela não se cansa de você. Eu te amo e tenho orgulho de ter você comigo. Sinto muito sua falta.

Dedicado a B. Benetti Neto.

Entradas Mais Antigas Anteriores