Entre nuvens e Sol

Em meio a uma tarde indecisa entre Sol e nuvens percebi que ali estava o reflexo dos meus pensamentos. Eu que tanto clamava por mudança, quando ela chegou às pressas, quis que o tempo parasse. Como sou ingrata com a vida. Como todos, na maioria, são ingratos. Há algum tempo percebo vários olhares saudosistas, clamando por uma época que não volta mais para em alguns anos pedir pelos dias de hoje.

Em meio há tanto nó vendo tantas pessoas, mais do que era habituada, passei a me conhecer um pouco melhor. Conclui que na verdade apenas me encontro em um lar despedaçado, corrigindo, eu sou um lar despedaçado. Não sei mais o que é casa.

Passei um tempo tentando fazer da nova cidade mais parecida com a minha casa mas percebi que assim como os nômades não preciso de um lugar fixo, porém preciso levar quem eu amo comigo, afinal eles são meu lar.

E agora, tenho quartos, cozinhas e salas por ai, em lugares distantes, as vezes nem tanto, mas ainda assim é um espaço vazio, como uma casa  após um tornado onde perde grande parte dos seus cômodos. Porém me veio a memória que logo depois tais casas são reconstruidas, alguma coisa há de mudar, mas acredito que não seja de todo mal.

Tenho que bater o pé e parar de pedir máquinas do tempo ou coisa e tal. Tenho que pedir força e logo coragem para me reconstruir, adicionar alguns novos cômodos e mudar os antigos. Não vai ser fácil ou rápido, felizmente, logo encontrei coragem no olhar de um estranho determinado a devorar o mundo apesar das rugas, estava determinado a pagar o preço da nostalgia para que não ficasse parado no tempo.

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Inseparável

Toda a minha vida fui muito apegada a tudo que eu gostava, mas de uma forma que eu precisava ter sempre por perto, sempre a minha vista. Os amigos, sempre mantive bem junto de mim, poucos mas sempre íntimos. Mantinha tão perto porque me era vital, como se longe, não pertencesse mais a minha vida.

Alguns dias atrás olhei ao meu redor e vi que todo o meu círculo de convivência estava a uma distância que eu nunca imaginei e por um pequeno instante me senti infinitamente vazia. Parando depois para analisar, vi que na verdade o que tinha mudado era o contato físico, o que eu achava de suma importância para qualquer relacionamento, mas será que a amizade, a cumplicidade, tudo aquilo que preservei tanto tempo tinha subido em um ônibus e ido embora? De forma alguma. Eu ainda me preocupava e nós ainda partilhávamos quase tudo. Porque afinal, amizade é isso, é se preocupar com a outra pessoa e se esforçar mutuamente para que nunca acabe. Para ser inseparável basta querer, o que é de verdade, nada nesse mundo pode separar.

E a certeza de que é verdadeiro vem quando mesmo com a distância, com o longo tempo sem se ver e com a menor frequência de conversas, há o encontro e percebemos que absolutamente nada mudou.

(Texto dedicado à Julia, Andrezza e João).

Suficiente para ir

Eu pensei mil vezes se deveria ou não escrever até que um amigo querido me disse para não pensar mais. Então, de uma nova ”eu” para uma velha ”eu”, te digo que estou bem. Queria olhar dentro dos teus olhos e ficar ali parada na tua frente esperando como você reagiria a isso. Você amava meus olhos, diziam que eles ”eram do tamanho da lua.” Pois é… memórias.

Obrigada. Obrigada apenas por me incentivar a seguir aquela vontade incessante dentro de mim que eu chamo de sonho. Obrigada por cada palavra de preocupação que você dizia e por tornar uma das partes mais difíceis da minha vida, menos dolorosa.

Não gostaria que isso fosse uma confissão de amor só que acabou sendo, mas diferente porque o amor que sinto por você é fraternal e sempre foi, acho que por isso não foi tão difícil dizer adeus. Sempre nos demos muito bem e sempre fomos muito diferentes, você sabe disso. E hoje, sei que nada vai voltar e até fico feliz por isso, pois pude seguir em frente e você nunca teve dificuldade com isso. Portanto, eu tive que falar da tristeza que me invadiu quando eu subi no ônibus para São Paulo, sabendo que a partir daquele dia, as coisas seriam diferentes, eu seria diferente.

Me sinto diferente, menos racional e confesso que ela barrou que eu me apaixonasse por você e, sinceramente, não sei se queria esse impedimento.

Ah, são tantas as cosias que eu deveria te dizer, mas não irei, pois sei que você descobrirá sozinho e isso vai te machucar feio e não me atreverei a te dizer. Hoje está tudo muito diferente. Não afirmo que nunca mais teremos aquela sintonia, pois o caminho que tracei para minha vida é completamente oposto ao seu e te desejo tudo de bom.

Bem, de uma pessoa que é tudo menos ‘‘sua” (amiga, conhecida, não interessa), vê se para de ser tão idiota assim e caia em si, perceba a sua verdadeira vocação.

Como eu tenho certeza que não lerá isso, termino com um eu te amo que não tem a ver com as reais confissões de amor. Esse ai possui um significado bem mais importante do que você imagina.

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O folk da Rosie

Com algum atraso começo 2012 com a minha nova queridinha, Rosie and Me. Um pouco diferente das outras bandas gringas que falamos aqui essa vem diretamente de Curitiba. Desde 2006, eles contam com Rosanne Machado, a vocal que alterna entre violão e banjo, Tiago Barbosa (bateria), Guilherme Miranda (baixo), Thomas Kossar (guitarra) e Ivan Camargo (violão).

No site da banda eles definem sua música como honesta e não poderia concordar mais. Com certeza o principal instrumento é simplicidade.

“Bird and whale” é o primeiro EP do grupo e em janeiro desse ano eles lançaram o novo EP “Arrow of my ways” e logo farão uma turnê passando pelo Brasil e EUA. Apesar de no Brasil não ser tão conhecida, eles voaram longe para as terras americanas, inclusive “Darkest Horse” foi escolhida para a trilha sonora de One Tree Hill.

 

Vale a pena conferir o som dessa banda independente e por que não ajuda-los? Só conferir no site deles.

E quem quiser conferir o novo álbum, já esta disponível também no site da banda!

Memórias

Definitivamente, terminou. Durante o colegial inteiro a gente sempre espera pelo terceiro e pela formatura, faz planos para faculdade e viagens que poderíamos fazer durante esses três anos de ensino médio. Pois é, chegou o fim. É muito triste saber que todas as lembranças serão apenas lembranças e que as pessoas as quais participaram dessas lembranças, talvez nunca mais as vejamos.

Foi um ano turbulento, para falar a verdade. Muitos dos planos que fiz, não deram certo e o que aprendi foi que não adianta traçarmos um futuro para nós e seguir da nossa maneira, pois a vida é quem mostra para onde vamos e que tem Alguém por trás de tudo isso cuidando de nós para não nos perdermos no meio do caminho. Durante todo esse tempo, fiquei remoendo as palavras à procura da maneira perfeita para descrever tudo o que passamos durante esses três anos, principalmente esse ano, mas elas foram insuficientes. Agora sei que crescemos e o nosso modo de agir afeta muito mais quem está ligado a nós do que antes, quando éramos apenas adolescentes.

Foi uma dor terrível ter que despedir de tudo isso, mas desejo que isso aconteça com todo mundo porque é a maneira mais simbólica e honrada de se valorizar as lembranças e as amizades feitas na adolescência. Não posso ser totalmente independente, ter maioridade ou qualquer responsabilidade, mas posso afirmar que terminei uma etapa da minha vida com grande estilo: uma linda festa com as pessoas as quais sempre me lembrarei e sei que daqui a uns vinte anos, olharei para trás e chorarei de saudade de tudo o que passamos juntos.

Se eu continuasse, não caberia em centenas de caracteres o que significam para mim. “Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de vocês.”

Dedico esse texto aos meus queridos amigos do 3º colegial, 9ª turma do colégio Objetivo.

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